19 de julho de 2019

O novo não pode ser um objetivo

em si mesmo

Três reflexões alertam para o perigo de transformar a busca do novo em um objetivo em si, o que cria a ilusão de um processo evolutivo que, na verdade, pode se revelar destrutivo.

 

A melhor publicidade deriva da grande criatividade e personalidades marcantes

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Dois artigos, um na Ad Age e outro na The Drum, abordam por ângulos diferentes dois fundamentos que por muitos anos tiveram papel central na construção das marcas mais valiosas do mundo e na geração de riquezas para as empresas e a sociedade.

Esses dois pilares têm sido corroídos, infelizmente, por uma série de equívocos resultantes da obsessão por fazer sempre as coisas de modo diferente mais pela ilusão de que assim elas serão mais eficazes do que pela análise cartesiana de seu efetivo valor.

Avi Dan refletiu como a quase extinção de grandes personalidades no universo das agências está afetando de forma expressiva sua capacidade de atrair talentos e de fazer publicidade que gere bons resultados para as marcas dos clientes e para a rentabilidade do negócio.

Depois de recordar o papel essencial dos maiores líderes da atividade, de J. Walter Thompson a Jay Chiat, passando por David Ogilvy e Bill Bernbach, Dan destacou a preocupante perda de relevância da chamada Madison Avenue e dos publicitários, cuja força de trabalho foi reduzida em cerca de 7.000 postos apenas no ano passado, nos Estados Unidos.

Como resultante "a publicidade deixou de ser o rock and roll do marketing para ser uma burocrática Friday pizza".

Dan, vale lembrar, tem 40 anos de experiência na atividade e lidera uma das principais consultorias de seleção de talentos e agências do negócio, após ter feito carreira de grande sucesso em agências e ter trabalhado para algumas das marcas mais poderosas do mercado global.

A outra reflexão foi de Lindsay Clay, CEO da Thinkbox e presidente do Global TV Group, que escreveu a partir de suas observações no último Cannes Lions, onde constatou que são raros os casos de publicidade realmente efetiva, inclusive entre os próprios casos premiados.

A razão disso tem sido muita busca pela mera inovação formal e falta da chamada great creativity na publicidade, que não apenas faz trabalhos com ar de inovação, mas que são capazes de mudar a história das marcas a que servem.

Como constatou, "a grande criatividade é o que torna a publicidade interessante, tanto como produto de uma atividade quanto como um setor onde trabalhar".

 

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Os millennials não estão matando a economia. Mas sim o contrário.

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Artigo na The Republic sobre a condição econômica dos millennials demonstra que o conjunto das riquezas gerada pela economia norte-americana, com toda busca obsessiva por disrupção dos mecanismos de mercado e dos negócios não resultou em benefícios para a mais nova geração daquele país, mas exatamente o contrário.

Comparada com a situação dos baby boomers e gen xers, a situação dos consumidores, para os quais as empresas alegam estar produzindo tantas novidades em ritmo geométrico, não vem melhorando, mas piorando a vida dos mais novos.

O texto elabora sobre diversas fontes, inclusive um reporte feito por economistas do Federal Reserve, que explicitou que essa geração é menos abastada do que os integrantes das gerações anteriores quando eram jovens, com ganhos menores, têm menos ativos financeiros e acumulam menos riquezas.

Como avalia o artigo, "em uma perspectiva mais ampla - do consumo de carros e casas a restaurantes e lojas de qualidade  -, os millennials não são serial killers, mas sim os bodes expiatórios em série", que são usados para justificar inovações que talvez não fossem nem tão necessárias e que têm se mostrado, no fundo, contraproducentes.
 

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